Voltei a te escrever
Voltei a te escrever cartas de amor,
Cartas ritmadas, com letras e sons de trombone,
Cantadas indiscretamente;
Voltei a te descrever
Para que a história não te leve
E a memória não exista;
Que não exista saudade.
Solitude
É a sua falta
Que me leva a crer
Que por ti
Estou vivendo
Assim como vivem as plantas,
Na solitude pacífica.
Divina Paródia I
Porque a festa, sim, acabou,
E estamos todos vivos;
O Salvador aqui é morto.
O Salvador nunca foi daqui.
Ele voa;
Mas nunca o verei
Em meu samba de carnaval,
A brincar,
E sonhar
E dizer graciosamente:
“Que a festa comece.”
A Divina Paródia II
Porque a ainda festa não acabou,
Porque ainda estamos vivos,
Porque o salvador está vivo,
Porque ele é humano,
Porque ele não voa
Ainda;
Ainda hei de vê-lo,
No samba de meu carnaval, graciosamente,
A brincar.
Sem Palavras
Conheci-te;
Permiti-me;
Tal bastou
Para saber
Que nada mais
Haveria eu de precisar.
Tu te fostes
Para o outro lado das águas,
Fora de mim
Morrestes.
Tive de desromantizar-me,
Desconhecer
Qualquer espectro de beleza
Para sobreviver
Sem essência,
Sem ardente felicidade,
Sem palavras,
Você.
Esboço
Isto é apenas um esboço
Dos meus incontáveis versos
Que têm servido de música
Para tentar acalmar
Dois corações descontentes,
Porém, quentes,
Partidos pelo mar.
Encontro das Terras
Ítala, é o título
Que salta em amarelo;
Razão do caos,
Do elo entre duas terras
Desconhecidas,
Separadas por águas,
Que hão de se encontrar,
Num belo dia,
Numa bela explosão,
Mesmo que para tal
Seja preciso acordar vulcões,
Inverter o ciclo das águas,
Extinguir a gravidade,
O silêncio poético
Que diz apenas verdades
Latejantes nas duas almas.
Ciclos
Algo sempre fica
De quem passa por nós;
No final, tendemos todos
A ser um só;
Em cima ou debaixo da terra,
Somos apenas poeira
De nossos próprios pés.
O Grande Vôo
Palpita em mim
Cada ponto vivo
Toda vez que cogito
Que ela desta vez sobreviverá;
Que com asas mecânicas
Ítala haverá de voar enfim
Sobre o Sol;
E assim não lhe bastando, prosseguirá
Penetrando nas reentrâncias dos enigmas,
Surpreendendo a si mesma,
Ela voará em dissonância
Para a Clave ascendente
Que por vir há de estar;
Ítala transcenderá;
Ítala voará em Fá.
Uma Breve Homenagem
Pelo teu pão, pelo teu vinho,
Levanto a tinta, sem pena,
Para reivindicar o Amor exalado Dele,
Que de tão encenado,
Cuspido pelos cínicos Redentores,
Nos que genuinamente negam acatar a farsa,
Há de ficar apenas no pó,
Juntamente com as palavras
Destes mesmos imitadores
De quem chamamos por Cristo.








